TENDÊNCIA TEMPORAL E DISTRIBUIÇÃO REGIONAL DAS TAXAS DE TRATAMENTO QUIMIOTERÁPICO PARA NEOPLASIAS MALIGNAS INTRACRANIANAS EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES NO BRASIL, 2016–2025: UM ESTUDO ECOLÓGICO
Résumé
Introdução: As neoplasias do sistema nervoso central (SNC) são os tumores sólidos mais frequentes em crianças e adolescentes e a principal causa de mortalidade por câncer nessa faixa etária no Brasil. A quimioterapia permanece como um dos pilares terapêuticos, mesmo diante do avanço das terapias-alvo e da imunoterapia. Objetivo: Analisar a tendência temporal e a distribuição regional das taxas de tratamento quimioterápico para neoplasias malignas intracranianas em crianças e adolescentes de 0 a 19 anos no Brasil, entre 2016 e 2025. Métodos: Estudo ecológico de série temporal, com dados secundários do Painel de Oncologia do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) referentes às neoplasias malignas intracranianas (CID-10: C71), e estimativas populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foram calculadas taxas anuais e médias de tratamento por 100.000 habitantes para o Brasil e suas cinco macrorregiões. A tendência temporal foi avaliada por regressão linear simples e as diferenças regionais por análise de variância de uma via (ANOVA), com teste post hoc de Tukey. Resultados: Foram registrados 1.882 tratamentos quimioterápicos entre 2016 e 2025. Observou-se tendência crescente estatisticamente significativa das taxas no Brasil (β = 0,012; IC95%: 0,0073–0,016; R² = 0,83; p < 0,001), com aumento significativo no Nordeste (β = 0,022; p <0,001) e no Sul (β = 0,032; p = 0,009); Norte, Sudeste e Centro-Oeste não apresentaram tendência significativa. As maiores taxas médias do período foram observadas no Centro-Oeste (0,503/100.000 hab.) e no Sul (0,472/100.000 hab.), e a menor no Norte (0,208/100.000 hab.), com diferenças significativas entre as macrorregiões (F(4,45) = 18,21; p < 0,001; η² = 0,62). Conclusão: As taxas de tratamento quimioterápico para neoplasias malignas intracranianas em crianças e adolescentes apresentaram tendência crescente no Brasil entre 2016 e 2025, com evolução e distribuição heterogêneas entre as macrorregiões, refletindo possíveis desigualdades estruturais no acesso à assistência oncológica pediátrica.
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Revista Brasileira de Neurologia e Psiquiatria. ISSN: 1414-0365