TENDÊNCIA TEMPORAL E DISTRIBUIÇÃO REGIONAL DAS TAXAS DE TRATAMENTO QUIMIOTERÁPICO PARA NEOPLASIAS MALIGNAS INTRACRANIANAS EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES NO BRASIL, 2016–2025: UM ESTUDO ECOLÓGICO

Antônio de Souza Andrade Filho, Enzo França Almeida Carvalho, Fernando França Almeida de Carvalho, Pietro França Almeida de Carvalho, Ana Luiza Boa Morte Café, Júlia Martins Nogueira Guedes Serra

Resumo


 Introdução: As neoplasias do sistema nervoso central (SNC) são os tumores sólidos mais frequentes em crianças e adolescentes e a principal causa de mortalidade por câncer nessa faixa etária no Brasil. A quimioterapia permanece como um dos pilares terapêuticos, mesmo diante do avanço das terapias-alvo e da imunoterapia. Objetivo: Analisar a tendência temporal e a distribuição regional das taxas de tratamento quimioterápico para neoplasias malignas intracranianas em crianças e adolescentes de 0 a 19 anos no Brasil, entre 2016 e 2025. Métodos: Estudo ecológico de série temporal, com dados secundários do Painel de Oncologia do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) referentes às neoplasias malignas intracranianas (CID-10: C71), e estimativas populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foram calculadas taxas anuais e médias de tratamento por 100.000 habitantes para o Brasil e suas cinco macrorregiões. A tendência temporal foi avaliada por regressão linear simples e as diferenças regionais por análise de variância de uma via (ANOVA), com teste post hoc de Tukey. Resultados: Foram registrados 1.882 tratamentos quimioterápicos entre 2016 e 2025. Observou-se tendência crescente estatisticamente significativa das taxas no Brasil (β = 0,012; IC95%: 0,0073–0,016; R² = 0,83; p < 0,001), com aumento significativo no Nordeste (β = 0,022; p <0,001) e no Sul (β = 0,032; p = 0,009); Norte, Sudeste e Centro-Oeste não apresentaram tendência significativa. As maiores taxas médias do período foram observadas no Centro-Oeste (0,503/100.000 hab.) e no Sul (0,472/100.000 hab.), e a menor no Norte (0,208/100.000 hab.), com diferenças significativas entre as macrorregiões (F(4,45) = 18,21; p < 0,001; η² = 0,62). Conclusão: As taxas de tratamento quimioterápico para neoplasias malignas intracranianas em crianças e adolescentes apresentaram tendência crescente no Brasil entre 2016 e 2025, com evolução e distribuição heterogêneas entre as macrorregiões, refletindo possíveis desigualdades estruturais no acesso à assistência oncológica pediátrica.


Palavras-chave


Neoplasias do sistema nervoso central; Quimioterapia; Criança; Adolescente; Estudos ecológicos; Disparidades em assistência à saúde

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 Revista Brasileira de Neurologia e Psiquiatria. ISSN: 1414-0365